Ouçam na ordem: Fool on the Hill, Nowhere Man e Strawberry Fields Forever dos Beatles. Prestem atenção na letra e no arranjo.
terça-feira, 17 de abril de 2007
quinta-feira, 29 de março de 2007
Sobretudo
Falar, escrever, ouvir, ler...
Mas sobre trivialidades, coisas pequenas.
Infelizmente o mundo não é assim.
Ele não deixa.
Se você quer ser feliz, entrister-se-á.
Se você quer ser triste, felicitar-se-á.
E se quiser escrever sobre, descobrirá que já o fizeram.
E melhor do que você o fez.
E daí?
O verdadeiro poeta é aquele que vê poesia na cópia.
Faz a cópia da poesia.
Ele vê poesia até na anti-poesia.
E acaba escrevendo sobre a mulher que cata lixo pra sobreviver.
Sobre o churrasquinho da esquina.
Sobre nada.
Sobre tudo.
Sobretudo.
quarta-feira, 7 de março de 2007
Sem título 3
Esculpir seu belo rosto em todo seu esplendor
Compor uma harmonia nostálgica
Acompanhada por palavras lindas
Que brilhassem teus olhos ao ler...
Mas tudo o que posso fazer
É registrar esses versos tortos
Tão imperfeitos, tão malfeitos
Tão ingratos e clichês.
Apesar de tudo
Eles têm sentido
E têm sentimentos.
Saem do coração
Que mora num corpo
Transformado no templo do tangível.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Re: Um pequeno texto sobre corações e poesias.
Ser seguido pelo demônio do bloqueio mental realmente é algo assustador para o artista. Muito mais para ele, que depende de exprimir o que sente, ele que sente a necessidade abraçar o mundo, acolhê-lo em seu coração e cuidar de todos como se fosse própria cria.
Quando esse demônio o alcança, o artista se sente fraco, desarmado, inútil, dentro dessa constante batalha que ele tem contra o mundo. Como ele vai continuar a abraçar o mundo, se ele não consegue mais criar a arte no dia-a-dia? Pior ainda. Como ele vai abraçar o mundo, se ele não consegue criar a arte dentro de si mesmo?
O artista é guiado, alguns mais, outros menos, pela emoção. É verdade o que já foi dito, que o coração congelado acaba por minar a produção artística. Mas esfriar o coração é apenas uma defesa pessoal. Convenhamos. Ninguém gosta de sofrer por gostar, por confiar, por amar ou pelo quer que seja. Sim, eu defendo o confinamento interno, e acredito que ele não é nada mais nada menos do que um meio de manter sua integridade emocional. Minto. Já não o defendo mais. Vejo que o artista não pode se aventurar por esses caminhos. O dever do artista é traduzir os sentimentos do mundo.
A partir de hoje, reaqueço meu coração congelado. Volto a amar, desamar, malamar. Talvez eu possa até me arrepender dessa escolha, mas eu sei que se isso ocorrer, sempre terei companhia das letras, das palavras, das notas, das melodias, das harmonias.
No final, a vida sempre foi e sempre será essa música, que começa sem começo e termina sem fim.
Ouvindo: Barão Vermelho - Down em Mim